No Mini Ramp Pro Attack em Porto Alegre, título para os brasileiros Luiz Francisco e Raicca Ventura

Um fenômeno do skate. No primeiro fim de semana do STU Pro Tour, em Porto Alegre (RS), ele já tinha garantido o título da modalidade Park. Neste domingo (30/03), fechando a programação da primeira etapa do circuito mundial genuinamente brasileiro, o jovem Gui Khury, de apenas 16 anos, sagrou-se campeão do Vert emplacando a maior nota da história, um expressivo 98,00, igualando feito da lenda Bob Burnquist em uma edição dos X Games.

No piso formado por 88 chapas de uma fórmica especial, resistente à chuva e a altas temperaturas, chamado de “Forramp”, revestimento que suporta bem os impactos e que tem bastante flexibilidade, boa parte da nata do Vert mundial esteve presente. Mas ninguém voou mais alto no half de 4,20m de altura do que Gui Khury. Nas quatro descidas a que cada um dos oito finalistas teve direito, sua nota só aumentava. A primeira, inclusive, já o conduzia ao lugar mais alto do pódio.

Na primeira apresentação do atual campeão mundial de Vert, a nota 94,00. Na segunda, já com direito a 720º e 900º, recebeu um 97,17. Até que, na terceira, a volta praticamente perfeita, pulando para 98,00 e levando o público à loucura. O próprio locutor oficial, Paulinho, comentava em alto e bom som, que os juízes teriam que queimar o cérebro para julgar não só o desempenho do garoto prodígio, mas também de todos os demais, tamanho nível mostrado por todos na pista.

É meu primeiro campeonato internacional de Vert aqui no Brasil. Aliás, o STU está de parabéns por essa nova competição. Foram dois finais de semana sensacionais. Estou sem palavras para descrever o que vivi. Muito feliz. Venci no Park, no Vert e também cheguei à final da Mini Ramp. Muito louco! E ainda tirei um 98,00 e igualei um recorde do Bob, uma das minhas referências. Estamos aqui para fazer história. Sou muito grato por tudo que vivi e vivo nesses anos”, desabafou o campeão.

Outro campeão do dia, já depois do sol se pôr no horizonte do Rio Guaíba, foi Luiz Francisco, o Luizinho, um dos representantes do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 na modalidade Park. Como ele é um dos poucos no país a andar também no Street, ele admite que andar na Mini Ramp lhe dá maiores condições justamente por essa versatilidade. “O que eu gosto mesmo é de andar de skate”, bradou ele, pouco depois de ser anunciado como vencedor do Mini Ramp Pro Attack.

Quem teve o privilégio de assistir à final, ainda mais no local, pôde ver a loucura que é uma Jam Session na modalidade. Nos primeiros 20 minutos, cada um dos oito skatistas descem de forma ordenada, um de cada vez, para se apresentar. Mas, nos dez minutos finais, hora da Jam desordenada, em que podem entrar ao mesmo tempo na pista para tentar aquelas manobras extras para impressionar ainda mais os juízes. Naquela expectativa final, o anúncio do título e banho em Luizinho.

Por andar de Street e de Park, isso me proporciona a colocar tudo que sei fazer dos dois aqui na Mini Ramp. Na verdade, eu gosto de andar de skate, não interessa em que piso. Mas essa pista é democrática demais, e é muita diversão. Eu sabia que tinha andado bem, mas não acompanhava direito o que os outros estavam fazendo. Só tinha certeza de que meu irmão (André Mariano) tinha feito umas voltas boas e que o Pedrinho (Pedro Carvalho) tinha soltado umas bombas. Não reparei quantas tricks cada um deu. Feliz demais com esse título”, declarou Luizinho.

Raicca vibra com manobra decisiva para o título na Mini Ramp
As meninas também brilharam no Mini Ramp Pro Attack. Volta a volta, manobra a manobra, a luta ficou acirrada entre Raicca Ventura e Mizuho Hasegawa, que já tinham sido as skatistas de melhor desempenho na semifinal da véspera. No fim, a brasileira levou a melhor sobre a japonesa, mas por muito pouco, ambas no “9 Club”: 92,00 a 90,00. Como o resultado só é dado pelos três juízes ao final de toda apresentação, a surpresa ficou estampada no rosto de Raicca.

Fiquei muito surpresa mesmo, mas bem feliz, claro. Na verdade, sabia que estava numa briga bem forte com a Mizuho, mas consegui acertar muitas manobras, algumas arriscadas. Tive que dar o flip na 45, e vinha errando todos. E ainda dei o Flip Indy na Jam desordenada, quando você fica mais livre para fazer umas tricks que não encaixaram antes, mas com cuidado para desviar das outras meninas. Muito louco! Senti uma energia muito grande vinda da arquibancada. Assim, acertava uma já querendo acertar outra”, vibrou a campeã.

A primeira etapa do STU Pro Tour teve como patrocinadores a Prefeitura de Porto Alegre, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, a Petrobras, a Red Bull, a Heineken 00, a Fruki e o Governo Federal. E como parceira especial a Docile, como parceiro de mídia o Grupo Imobi e apoio da ABPSK, da FGSKT, da Drop Dead e da Matriz Skateshop.

RESULTADO FINAL – SKATE VERTICAL
1º – Gui Khury (BRA) – 98,00
2º – Luigi Cini (BRA) – 92,42
3º – Tate Carew (EUA) – 90,61
4º – Rony Gomes (BRA) – 88,67
5º – JD Sanchez (EUA) – 88,60
6º – Thomas Augusto (POR) – 86,74
7º – Dan Sabino (BRA) – 82,00
8º – Alessandro Mazzara (ITA) – 50,00

RESULTADO FINAL – MINI RAMP PRO ATTACK MASCULINO
1º – Luiz Francisco (BRA) – 94,00
2º – Pedro Carvalho (BRA) – 92,00
3º – André Mariano (BRA) – 89,00
4º – Pedro Quintas (BRA) – 85,00
5º – Danny León (ESP) – 84,00
6º – Fernando Previ (BRA) – 82,00
7º – Gustavo Picaski (BRA) – 77,00
8º – Gui Khury (BRA) – 74,00

RESULTADO FINAL – MINI RAMP PRO ATTACK FEMININO
1ª – Raicca Ventura (BRA) – 92,00
2ª – Mizuho Hasegawa (JAP) – 90,00
3ª – Yndiara Asp (BRA) – 86,00
4ª – Fernanda Tonissi (BRA) – 84,00
5ª – Dora Varella (BRA) – 76,00
6ª – Marina Lima (BRA) – 72,33
7ª – Alisa Fessl (AUT) – 68,00
8ª – Maite Demantova (BRA) – 61,00

Fonte: Redação